Pensamos que somos bons cristãos
porque algumas vezes vamos a missa, mas o cristianismo não é só isso.
Os sacramentos são importantes quando são o cume de uma vida cristã.
O cardeal jesuita Carlo María Martini, propõe un concílio para enfrentar a questão “da relação da Igreja com os divorciados” e reconhece que a Igreja tem problemas com “a eleição dos bispos, o celibato dos padres, o papel dos leigos e as relações entre a herarquia eclesiástica e política”.
O cardeal de Milão numa entrevista refere uma série de problemas, que dificultam a relação entre Iglesia católica e a sociedade. “O primeiro é à actitude da Igreja para com os divorciados".
É uma voz de esperança numa sociedade cada vez menos cristã e cada vez mais indiferente. Como diz o Cardeal Martini: “Não há uma visão única do bem. A tendencia dominante consiste em defender el interesse particular e o do próprio grupo. Talvez pensemos que somos bons cristãos porque algumas vezes vamos a missa, mas o cristianismo não é só isso. Os sacramentos são importantes quando são o cume de uma vida cristã. A fé é importante se caminha em conjunto com a caridade. Sem a caridade a fe torna-se cega. Sem a caridade não há esperança e não há justiça”.
Faltam poucos dias para que o Papa publique a sua nova encíclica, dedicada à caridad e à globalização. Talvez fosse importante perceber que “fazer o bem, ajudar o próximo é desde logo um aspecto importante, mas não é a esencia da caridade. Faz falta escutar os outros, compreendê-los, incorporá-los com o nosso afecto, reconhecê-llos, quebrar a sua solidão e ser o seu companheiro. Amá-los, em definitivo. A caridade não é esmola. A caridade que pregou Jesus consiste em ser plenamente partícipes da sorte dos outros. Comunhão de espíritos e luta contra a injustiça”.
Segundo a opinião de Martini afirma que a Igreja uma lista vastissima de pecados, o verdadeiro pecado do mundo é a injustiça e a desigualdade. “Jesus diz que o reino de Deus será dos pobres, dos débeis, dos excluidos. E diz que a Igreja deberia ter como principal missão estar cerca deles. Esta é a caridade do povo de Deus que pregava o seu Filho, que se fez homem para nossa salvação".
Sobre um futuro Concilio: “Não penso num Vaticano III. É certo que o Vaticano II perdeu uma parte da sua força. Pois este pretendia que a Igreja se enfrentasse a sociedade moderna e a ciencia, mas isto acabou por ser marginal. Estamos longe de ter abordado este problema e até parece que voltamos o nosso olhar para trás em vez de para a frente. É preciso retomar o impulso e para isso nem era necessário um Vaticano III. Compreendido este ponto, sou partidário de outro concilio, e inclusive o estimo necessário, mas apenas sobre temas específicos e muito concretos. Julgo oportuno que também seria necessário por em práctica o que se sugeriu e inclusive o que foi decretado no Concilio de Constança: convocar um concilio cada 20 ou 30 anos sobre un unico tema, ou dois o máximo”.
Porém, isto seria una revolução no modo de governar a Igreja?
“A mim não me parece. A Igreja de Roma chama-se apostólica e não é por casualidade. A sua estructura é vertical, mas, ao mesmo tempo, também horizontal. A comunhão dos bispos com o Papa é um órgão fundamental da Igreja”.
E qual seria o tema do concilio que propõe?
“A relação da Igreja com os divorciados. Afecta a muitissimas enfrentar o problema com inteligencia e com previsão. E há ainda outro tema que a Igreja deveria abordar num próximo concilio: o da trajectoria penitencial que é a própria vida. Olhe, a confissão é um sacramento extraordinariamente importante, ainda que hoje esteja quase esvaziado. Cada vez são menos as pessoas que recorrem a ele, mas, sobretudo, converteu-se em algo quase mecánico: confessa-se um pecado, recebe-se o perdão, recita-se uma oração e termina tudo”.