PADRES INQUIETOS

Um espaço aberto às tuas inquietações e problemas...

Terça-feira, Novembro 10, 2009

Homossexualidade e Casamento

Recentemente, houve um apelo lançado por 66 países para a despenalização universal da homossexualidade a que se associou o Vaticano. Ainda bem. E não deve haver lugar para discriminação.
O Estado deveria encontrar uma forma de união com consequências jurídicas semelhantes às dos casados. Mas a questão reside em saber se há-de chamar-se-lhe casamento. O problema é mais do que religioso e as palavras não são indiferentes, pois não pode dar-se o mesmo nome ao que é diferente.
Como disse o filósofo ateu Bertrand Russell, "o casamento é algo mais sério do que o prazer de duas pessoas na companhia uma da outra: é uma instituição que, através do facto de dela provirem filhos, forma parte da textura íntima da sociedade, e tem uma importância que se estende muito para além dos sentimentos pessoais do marido e da mulher".
Assim, o que a sociedade tem de resolver é se considera o casamento essa instituição ou uma mera contratualização de afectos.

Muitos Anglicanos regressam ao Cristianismo

Publicada a Constituição Apostólica que permite o regresso de vários grupos à Igreja Católica
Foi publicada esta Segunda-feira a Constituição Apostólica “Anglicanorum Coetibus”, sobre as Orientações pessoais para os anglicanos que entram na Igreja católica. Esta iniciativa do Papa corresponde "aos numerosos pedidos enviados por parte de vários grupos de clérigos e de fiéis anglicanos, de diversas regiões do mundo".

Desde o século XVI, quando o rei Henrique VIII declarou a independência da Igreja de Inglaterra da autoridade do Papa, a Igreja de Inglaterra criou as suas próprias confissões doutrinais, hábitos litúrgicos e práticas pastorais, incorporando muitas vezes ideias da Reforma que teve lugar no continente europeu. A expansão do Reino britânico, unida ao apostolado missionário anglicano, comportou sucessivamente o nascimento de uma Comunhão anglicana a nível mundial.

Ao longo dos mais de 450 anos da sua história, a questão da reunião entre anglicanos e católicos nunca foi posta de lado. Nos meados do século XIX, o Movimento de Oxford (na Inglaterra), demonstrou um renovado interesse pelos aspectos católicos do anglicanismo. No início do século XX, o Cardeal Mercier da Bélgica estabeleceu diálogos públicos com os anglicanos, com a finalidade de indagar sobre a possibilidade de uma união com a Igreja católica, sob a bandeira de um anglicanismo "reunido, mas não absorvido".

O Concílio Ecuménico Vaticano II alimentou a esperança de uma união, de modo particular através do Decreto sobre o ecumenismo (cf. n. 13) que, fazendo referência às Comunidades separadas da Igreja católica no período da Reforma, reiterou: "Entre aquelas [comunhões] nas quais continuam a subsistir parcialmente as tradições e as estruturas católicas, a Comunhão anglicana ocupa um lugar especial".

A partir do Concílio Vaticano II, as relações entre anglicanos e católicos romanos criaram um clima de compreensão e cooperação mútua. A Anglican-Roman Catholic International Commission (ARCIC) emanou uma série de declarações doutrinais ao longo dos anos, na esperança de lançar a base para uma união plena e visível. Para numerosos pertencentes às duas Comunhões, as declarações emanadas pela ARCIC puseram à disposição um instrumento em que pode ser conhecida a expressão conjunta da fé. É em tal moldura que se deve contextualizar esta nova iniciativa.

Nos anos sucessivos ao Concílio, alguns anglicanos abandonaram a tradição de conferir as Ordens sagradas somente aos homens, chamando ao presbiterato e ao episcopado também as mulheres. Mais recentemente, alguns segmentos da Comunhão anglicana afastaram-se do comum ensinamento bíblico a respeito da sexualidade humana já claramente expresso no documento da ARCIC "Vida em Cristo" conferindo as Ordens sagradas a clérigos abertamente homossexuais e abençoando as uniões entre pessoas do mesmo sexo. Não obstante, enquanto a Comunhão anglicana deve enfrentar estes novos e difíceis desafios, a Igreja católica permanece plenamente comprometida no seu diálogo ecuménico com a Comunhão anglicana, de maneira particular através da actividade levada a cabo pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

Entretanto, muitos anglicanos entraram individualmente na plena comunhão com a Igreja católica. Às vezes entraram também grupos de anglicanos, conservando uma determinada estrutura "corporativa". Isto teve lugar, por exemplo, no caso da diocese anglicana de Amritsar, na Índia, e inclusive de algumas paróquias individualmente nos Estados Unidos da América que, embora tenham conservado uma identidade anglicana, entraram na Igreja católica no contexto de uma chamada "providência pastoral", adoptada pela Congregação para a Doutrina da Fé e aprovada pelo Papa João Paulo II em 1982.

Nestes casos, a Igreja católica dispensou frequentemente do requisito do celibato, admitindo que esses clérigos anglicanos casados que desejam dar continuidade ao serviço ministerial como sacerdotes católicos sejam ordenados na Igreja católica.

Em tal contexto, os Ordinariatos pessoais instituídos em conformidade com a supramencionada Constituição Apostólica podem ser vistos como um passo rumo à realização da aspiração da união plena e visível na única Igreja, que é uma das finalidades principais do movimento ecuménico.

Fonte: Ecclesia

Terça-feira, Outubro 13, 2009

Morreu o único padre casado de rito latino em Portugal

Em 1968, e ainda na Igreja Lusitana, ramo português da Comunhão Anglicana, que permite o casamento dos padres, pediu dispensa para ser aceite na Igreja Católica.

Maria Fernanda de Sousa, recorda como o processo do seu marido esteve três anos no patriarcado: “Até que um dia o Arcebispo de Cízico, que era um senhor assim com barbas muito grandes, numa reunião presbiterial perguntou: ‘Ó Sr. Cardeal (era o cardeal Cerejeira), quando é que manda para Roma o processo do Pe. Saúl?’”

O Patriarca mostrou-se renitente, “mas os bispos fizeram tanta força que ele resolveu mandar a carta para Roma. Passados 15 dias Paulo VI respondeu-nos dizendo que podia entrar, só tinha que actualizar a formação católica”

A ordenação deu-se em 1971, e foi a última celebração presidida pelo Cardeal Cerejeira. Nos 38 anos seguintes Saúl de Sousa exerceu um ministério único em Portugal, como padre casado.

Foi pároco das Mercês, em Lisboa, até se reformar em 2007.

O seu corpo será levado para a Igreja dos Anjos esta noite, e amanhã o Patriarca de Lisboa celebra as exéquias às 10h00.

Para além da sua viúva, o Pe. Saúl deixa ainda três filhos casados e seis netos
Fonte: RR

Sábado, Outubro 03, 2009

Dinamismo da Igreja africana

A Igreja na África conheceu um grande dinamismo nos últimos anos. D. Nikola Eterović, secretário geral da II Assembleia especial do Sínodo dos bispos africanos, recordou que entre 1978 e 2007, “o número de católicos africanos passou de 55 milhões para 146 milhões”.
Um aumento que se estende também ao campo vocacional,
que no sacerdócio quer à vida consagrada.
Durante a conferência de imprensa que fez a apresentação do Sínodo africano, esta manhã no Vaticano, o secretário geral considerou que um dos sinais de fecundidade apostólica “são as vocações missionárias africanas”.

“Aumentam cada vez mais os sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos que desempenham o serviço pastoral nas outras Igrejas particulares na África ou noutros continentes”.

A sua missão compreende a promoção de actividades educativas e assistenciais, “oferecendo uma formação integral, humana e cristã, para as novas gerações”.

Mas o trabalho dos missionários visa também “aliviar as feridas abertas no espírito e no corpo”, perante os “grandes desafios do subdesenvolvimento e, por conseguinte, da fome, das doenças, das violências, inclusive as das guerras”.

As suas tarefas não distinguem etnia, língua, religião e são “um preciso contributo para o processo da justiça e da paz”.

D. Nikola Eterović considerou que a Igreja em África “deseja empreender com zelo renovado a acção de evangelização e de promoção humana no grande continente”.

“Uma Igreja reconciliada no seu interior, tornar-se-á anunciadora crível da reconciliação inclusive a nível da sociedade, oferecendo uma contribuição insubstituível para a promoção da justiça e obtenção da paz”.
Fonte: Agência ecclesia
PORQUÊ?

Sexta-feira, Outubro 02, 2009

Bispo de Aveiro fala de tempos difíceis para os padres

D. António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro, considerou que “a vida consagrada e o ministério sacerdotal se vivem hoje em condições particularmente difíceis”, destacando os “contextos de mudanças culturais complexas e de transformações sociais profundas”.

O prelado, que é presidente da Comissão Episcopal de Vocações e Ministérios, desafiou os padres e consagrados a serem “guia da transformação cultural da sociedade”, evitando uma atitude de “quem se assume como vítima dos constrangimentos do tempo”.

Na homilia da ordenação sacerdotal de um novo padre dehoniano, que decorreu Domingo em Esgueira, D. António Francisco dos Santos sustentou que “o mundo precisa que sejamos padres santificados pela graça e pelo esforço de perfeição como padres fiéis e felizes, espelhando em vidas dadas por amor à causa de Jesus a alegria e a esperança do serviço que prestamos ao mundo”.
Fonte: Agência Ecclesia
“A vida do sacerdote hoje não se mede pela omnipresença em tudo a braços com o excesso de trabalho e com a multiplicidade de actividades”, disse ainda.

Quinta-feira, Setembro 24, 2009

Bispo de Viseu vai reunir com padres que pediram dispensa

Em Ano Sacerdotal, D. Ilídio Leandro lembra aqueles que «abandonaram» esta missão
O Bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, vai convidar todos os sacerdotes da diocese que pediram dispensa das ordens sacras, para um encontro de partilha e reflexão.

O anúncio foi feito num encontro com os antigos alunos dos seminários.

Segundo o Gabinete de Informação da Diocese, “por variadíssimas razões, muitos sacerdotes pediram dispensa do exercício de ordens, sobretudo nos anos mais próximos à realização do Concílio Vaticano II”.

“Muitos deles não deixaram de se manifestar disponíveis para o serviço de evangelização, como membros responsáveis, nas comunidades onde vivem”, pode ler-se na página diocesana na Internet.

Segundo o comunicado, “nem sempre a hierarquia olhou para eles como um recurso a aproveitar, havendo mesmo, por vezes, desconfiança e distanciamento”.
Um pequeno grupo de trabalho está a preparar o encontro.
Fonte: Agencia Ecclesia.
É destas iniciativas que a Igreja precisa. Iniciativas de inclusão e não de exclusão. É mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa e quanto não foram aqueles que, apesar de terem vocação, tiveram de abandonar o exercicio sacerdotal, por meras razões disciplinares...

Ano Sacerdotal também para os sacerdotes que abandonaram ministério

O Ano Sacerdotal é uma iniciativa com a qual Bento XVI quer que a Igreja volte a entrar em contacto também com sacerdotes que abandonaram o ministério. Assim confirma o Cardeal

Tarcisio Bertone, Secretário de Estado do Vaticano, em entrevista publicada pela edição italiana do jornal “L’Osservatore Romano”, na qual o prelado revela inclusive como surgiu a ideia de convocar esta iniciativa.
“Lembro que, após o Sínodo sobre a Palavra de Deus, na mesa do Papa havia uma proposta, já apresentada antes, de convocar o ano da oração, que em si estava bem unida à reflexão sobre a Palavra de Deus”, comenta.
No entanto, “os 150 anos da morte do Cura d’Ars e a emergência dos problemas que afectaram tantos sacerdotes levaram Bento XVI a promulgar o Ano Sacerdotal”, revela.
Com esta iniciativa, afirma o Secretário de Estado do Vaticano, o Papa quer mostrar “uma atenção especial aos sacerdotes, às vocações sacerdotais” e promover “em todo o povo de Deus um movimento de crescente afecto e proximidade dos ministros ordenados”.
“O Ano Sacerdotal está a suscitar um grande entusiasmo em todas as igrejas locais e um movimento extraordinário de oração, de fraternidade para com os sacerdotes e entre eles mesmos, além de promover a pastoral vocacional”, afirma, destacando “uma especial atenção a favor de sacerdotes que foram reduzidos a uma condição marginal na acção pastoral”.

O Cardeal Bertone considera que este ano procura também recuperar “o contacto, de ajuda fraterna e, se possível, voltar a unir-se com os sacerdotes que, por diferentes motivos, abandonaram o exercício do ministério”.
“Os santos sacerdotes que povoaram a história da Igreja não deixarão de proteger e de apoiar o caminho de renovação proposto por Bento XVI”, conclui.
Redacção/Zenit

Quinta-feira, Setembro 10, 2009

Pandemia ou negócio


Vejam este vídeo, produzido na Argentina, mas de valor Universal...
Tem legendas em português.

Divulguem se acharem correcto evitar o pânico que se está a gerar.
Este era o tipo de trabalho que eu esperaria ter visto na RTP, nas Televisões Portuguesas, nos jornais portugueses, nas rádios portuguesas... Mas não... está toda a gente embarcada em números sem significado, como a notícia "foram detectados mais 234 casos de gripe A em Portugal nas últimas 24 horas", e "continua em estado grave a mulher internada no Hospital de S.João, diagnosticada com gripe A".
Mas quantas pessoas estão internadas no Hospital de S. João, que correm risco de vida?
E não são notícia por isso!
E dos milhares de casos de gripe A detectados em Portugal, quantos já morreram?
NENHUM!!
Qual é a notícia, afinal?
Até a Ministra já veio hoje dizer que 95% da população portuguesa vai passar ao lado da gripe A, com tosse, febre ou pouco mais... Isto é que deveria ser notícia: uma Ministra a dizer uma verdade!!
O governo Grego, chegou ao absurdo de encomendar vacinas para TODA A POPULAÇÃO GREGA!!!
É caso para dizer:
Senhores jornalistas,
depois não se queixem de o povo não comprar mais jornais!...

Quarta-feira, Setembro 02, 2009

Cardeal-patriarca repreende bispos e padres que "se consideram com direito de decidir pela sua cabeça"

O cardeal-patriarca de Lisboa repreendeu hoje bispos e padres que "se consideram com o direito de decidir pela sua cabeça" em vários domínios da Igreja Católica, considerando que isso fragiliza "a proposta cristã" e cria "divisões".
"Enquanto houver alguns bispos e padres que se consideram com o direito de decidir pela sua cabeça os caminhos de pastoral, o sentido da existência moral, a maneira de celebrar, estamos a fragilizar a proposta cristã, num mundo que saberá aproveitar, com os seus critérios, as nossas divisões", afirmou D. José Policarpo, no VI Simpósio do Clero, que junta em Fátima cerca de mil sacerdotes.
Para o cardeal-patriarca, que não concretizou a que situações se referia, o futuro da Igreja "ultrapassa as capacidades de visão e de decisão de cada um de nós", acrescentando que "a Igreja tem na sua unidade a sua força" e que a comunhão "é muito mais que uma questão de disciplina".
Fonte: Lusa

Sábado, Agosto 22, 2009

Volta Trento: missa em latim e de costas para o povo

O Papa chamou o Cardeal Canizares a Roma para conduzir a reforma litúrgica. E o cardeal Antonio Cañizares começa a cumprir a sua missão. Segundo o nosso colaborador, Andrea Tornielli, do Il Giornale, o documento com as propostas de reforma foi apresentado ao Papa no passado dia 4 de abril pelo prefeito da Congregação do Culto Divino, depois de ser aprovado “plenaria” deste dicasterio romano. Nele, se preconiza o regresso à missa em latim de costas para o povo e a proibição de comungar na mão. É o regressoa à missa tradicional.Volta Trento.
Segundo afirma Tornielli, quase por unanimidade, os cardeais e os bispos membros da Congregaão votaram a favor duma maior sacralização do rito, da recuperação do sentido da adoraão eucarística, da recuperaão do latim na celebração e de uma nova redacão das partes introductórias do missal, para por travão aos abusos, experiencias salvajens e inoportuna creatividade de eventuais celebrantes.
Entre as novas propostas concretas aprovadas pelol dicasterio a que preside o cardeal Cañizares figura a de proclamar que a forma habitual de receber a comum é na boca e não mão, como até agora. A comunhão na mão passaria a ser un rito extraordinário.
Fonte: Religion Digital

Terça-feira, Agosto 11, 2009

BEBÉ-AÍDO: um feto de 12 semanas é um ser humano?



Segunda-feira, Agosto 03, 2009

BALANÇO: O que mudou nesta legislatura

Este ano, milhões de católicos em Portugal irão votar em várias eleições.
Esclareça-se e reflicta.
O Voto católico é um voto responsável.






Sexta-feira, Julho 17, 2009

Sabe quem são?

Quinta-feira, Julho 16, 2009

ADOPTE UM PADRE!

“A vida dos sacerdotes sempre foi exigente. E nem poderia ser diferente, já que são chamados a continuar a missão de Cristo, o Bom Pastor. Em nossos tempos, porém, os desafios se multiplicam e exigem respostas sábias, decisões imediatas e constantes posicionamentos sobre os mais diversos temas. (…)”

“ADOPTE UM PADRE!
Dentre os sacerdotes que você conhece ou que actuam na Igreja, escolha um deles, e passe a rezar diariamente por sua santificação.

Ofereça sacrifícios para que ele exerça bem seu ministério.

De preferência, nunca lhe fale sobre isso, nem faça comentários a esse respeito com outras pessoas.

Os detalhes dessa “adopção” sejam conhecidos somente por você e pelo Bom Pastor. (…)

Fazendo isso, você estará respondendo a um apelo da Igreja, que constantemente nos recorda: ‘Todo o Povo de Deus deve incansavelmente rezar e trabalhar pelas vocações sacerdotais’. Sua resposta ao apelo de adoptar um padre determinado terá uma particularidade: você não estará rezando somente pelo clero em geral, mas por um padre com um nome e um rosto, o que, certamente, motivará ainda mais suas orações, jejuns e sacrifícios. (…)”

Dom Murilo S.R. Krieger, scj (Arcebispo de Florianópolis, Brasil)
Estamos no Ano Sacerdotal. Já adoptaste o teu padre? Então adopta um.

Quarta-feira, Julho 01, 2009

Martini: «É preciso um concílio acerca da relação da Igreja com os divorciados»

Pensamos que somos bons cristãos
porque algumas vezes vamos a missa, mas o cristianismo não é só isso.
Os sacramentos são importantes quando são o cume de uma vida cristã.

O cardeal jesuita Carlo María Martini, propõe un concílio para enfrentar a questão “da relação da Igreja com os divorciados” e reconhece que a Igreja tem problemas com “a eleição dos bispos, o celibato dos padres, o papel dos leigos e as relações entre a herarquia eclesiástica e política”.

O cardeal de Milão numa entrevista refere uma série de problemas, que dificultam a relação entre Iglesia católica e a sociedade. “O primeiro é à actitude da Igreja para com os divorciados".

É uma voz de esperança numa sociedade cada vez menos cristã e cada vez mais indiferente. Como diz o Cardeal Martini: “Não há uma visão única do bem. A tendencia dominante consiste em defender el interesse particular e o do próprio grupo. Talvez pensemos que somos bons cristãos porque algumas vezes vamos a missa, mas o cristianismo não é só isso. Os sacramentos são importantes quando são o cume de uma vida cristã. A fé é importante se caminha em conjunto com a caridade. Sem a caridade a fe torna-se cega. Sem a caridade não há esperança e não há justiça”.

Faltam poucos dias para que o Papa publique a sua nova encíclica, dedicada à caridad e à globalização. Talvez fosse importante perceber que “fazer o bem, ajudar o próximo é desde logo um aspecto importante, mas não é a esencia da caridade. Faz falta escutar os outros, compreendê-los, incorporá-los com o nosso afecto, reconhecê-llos, quebrar a sua solidão e ser o seu companheiro. Amá-los, em definitivo. A caridade não é esmola. A caridade que pregou Jesus consiste em ser plenamente partícipes da sorte dos outros. Comunhão de espíritos e luta contra a injustiça”.

Segundo a opinião de Martini afirma que a Igreja uma lista vastissima de pecados, o verdadeiro pecado do mundo é a injustiça e a desigualdade. “Jesus diz que o reino de Deus será dos pobres, dos débeis, dos excluidos. E diz que a Igreja deberia ter como principal missão estar cerca deles. Esta é a caridade do povo de Deus que pregava o seu Filho, que se fez homem para nossa salvação".

Sobre um futuro Concilio: “Não penso num Vaticano III. É certo que o Vaticano II perdeu uma parte da sua força. Pois este pretendia que a Igreja se enfrentasse a sociedade moderna e a ciencia, mas isto acabou por ser marginal. Estamos longe de ter abordado este problema e até parece que voltamos o nosso olhar para trás em vez de para a frente. É preciso retomar o impulso e para isso nem era necessário um Vaticano III. Compreendido este ponto, sou partidário de outro concilio, e inclusive o estimo necessário, mas apenas sobre temas específicos e muito concretos. Julgo oportuno que também seria necessário por em práctica o que se sugeriu e inclusive o que foi decretado no Concilio de Constança: convocar um concilio cada 20 ou 30 anos sobre un unico tema, ou dois o máximo”.

Porém, isto seria una revolução no modo de governar a Igreja?
“A mim não me parece. A Igreja de Roma chama-se apostólica e não é por casualidade. A sua estructura é vertical, mas, ao mesmo tempo, também horizontal. A comunhão dos bispos com o Papa é um órgão fundamental da Igreja”.
E qual seria o tema do concilio que propõe?
“A relação da Igreja com os divorciados. Afecta a muitissimas enfrentar o problema com inteligencia e com previsão. E há ainda outro tema que a Igreja deveria abordar num próximo concilio: o da trajectoria penitencial que é a própria vida. Olhe, a confissão é um sacramento extraordinariamente importante, ainda que hoje esteja quase esvaziado. Cada vez são menos as pessoas que recorrem a ele, mas, sobretudo, converteu-se em algo quase mecánico: confessa-se um pecado, recebe-se o perdão, recita-se uma oração e termina tudo”.